O Livro de Aventuras

A biblioteca Grimberrys era um lugar muito movimentado, todos os dias a responsável por ela não ficava parada. A senhora Lolys amava o que fazia e sempre deixava tudo impecável.
Um certo dia ela recebeu uma visita muito curiosa, uma menina baixa de olhos e cabelos escuros. Vestia uma roupa que não estava adequada ao período atual, parecia até que tinha vindo de algum conto de fadas.
A senhora Lolys perguntou:
-Querida, posso te ajudar?
A menina respondeu:
-Olá!  Eu preciso ir embora desse lugar, aqui não é minha casa.
-Coitadinha, eu vou ajudar você. Aqui ao lado tem uma estação de trem, se quiser posso te levar até lá.
-Não, a senhora não entendeu. O meu lugar não é aqui, mas não significa que a entrada não está aqui.
Confusa, Lolys perguntou:
-Poderia ser mais clara?  Não estou entendendo.
-Alguém abriu o livro, disse as palavras mágicas e acabou me deixando nessa biblioteca.
-Qual o nome do livro?
-É o livro de aventuras, ele tem a capa dura e colorida.
Lolys rapidamente se lembra dele, já que foi ela mesma que leu as palavras em voz alta.
-Querida, peço mil desculpas!  Eu sou a culpada, achei sua história tão cativante.
-Não precisa se desculpar, a minha história só pode ser lida silenciosamente, por questões de segurança. Se for lida em voz alta quatro vezes fico presa para sempre no mundo real.

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-Isso não pode acontecer!  O que devo fazer para te ajudar?
-Para que o feitiço seja revertido, basta ler o meu final feliz em voz alta. Mas não significa que vou estar totalmente salva, o livro pode ser lido novamente, para que isso não ocorra ele deve ser guardado em lugar seguro.
-Sim querida. Não precisa preocupar, já sei em qual lugar vou guardá-lo.
-Serei eternamente grata!
A senhora Lolys leu em voz alta o final da história e a menina num passe de mágica retornou ao livro.
Ela logo ouviu alguém chamar por seu nome.
-Senhora Lolys, senhora Lolys!
Gritava Charlie, um garoto de treze anos que era um dos leitores fiéis da biblioteca.
Assustada, Lolys respondeu:
-Olá Charlie, o que houve?
-Como assim o que houve?  Eu vim devolver os livros lidos e pegar alguns emprestados. A senhora estava num sono profundo que até se assustou com a minha chegada.
-O que disse? Eu estava dormindo?
-Sim senhora!
Ela logo olha para a obra que estava sobre a mesa, era um livro da capa dura e colorida. Ficou sem saber se tinha sonhado ou vivido uma aventura.
Charlie estranha o comportamento da bibliotecária.
-A senhora está bem?
-Sim Charlie, estou ótima. Cada livro que a gente lê é uma aventura diferente. Quando a história é boa, a noção entre a realidade e a fantasia se perde.
-Está me assustando desse jeito,  por gentileza esses são os livros que estou devolvendo e quero ler esses aqui, inclusive esse que está na sua mesa.
-Claro Charlie. Mas lembre-se, leia silenciosamente, caso não seja possível esteja disposto a salvar uma donzela indefesa.
-Acho que está lendo muitos livros de fantasia, hora de variar um pouco, concorda?
Os dois começaram a rir.

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2 comentários em “O Livro de Aventuras

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